05/07/2017 - Variação cambial: o que eu tenho a ver com isso?

Mesmo que sua empresa não realize diretamente transações internacionais, é preciso estar atento a fatores que podem interferir no mercado. Durante tensões políticas e econômicas, por exemplo, a moeda tende a oscilar, com picos e quedas. Essa volatilidade do mercado é expressa na taxa de câmbio, relação entre a moeda nacional e a estrangeira. No Brasil, por exemplo, o real sobre, normalmente, o dólar.
 
Assim como uma mercadoria, a moeda tem seu preço regido pela oferta e demanda. Quanto mais dólares circulando no Brasil, menor será sua cotação. Com a variação cambial, quedas e subidas têm impacto direto nas atividades das empresas, que precisam estar atentas a essa movimentação e ajustar suas operações para amenizar o impacto. 
 
Um dos setores mais afetados pela oscilação da moeda é a indústria, como a têxtil, por exemplo, que enfrenta grande concorrência de importados. Além disso, muitos custos da indústria dependem da cotação, desde a compra de matérias-primas até equipamentos importados. É fundamental estar sempre atento às variações para não ser surpreendido.
 
Com a desvalorização do real, os custos de produção ficam mais onerosos. Muitas empresas brasileiras, como comentamos, adquirem no mercado externo as matérias-primas para produzir seus bens. Com o aumento do dólar, elas precisam de mais reais para comprar a mesma quantidade.
 
Por um lado, o dólar valorizado resulta na redução das importações, que se tornam mais caras. Entretanto, por outro, acaba beneficiando a economia nacional e favorecendo as empresas exportadoras, que, para venderem mais, podem até mesmo reduzir o valor em dólares de seus produtos. No entanto, quando é o real que está em alta, importar bens fica mais barato.
 
Como a economia sempre apresenta lados negativos e positivos, o dólar valorizado também tem consequências indesejadas. O aumento dos preços dos produtos importados acaba repercutindo na inflação e reduzindo o poder de compra do consumidor, o qual acaba recebendo o repasse dos custos.
 
E o que fazer para reduzir o impacto da oscilação cambial no meu negócio? Prevenção. É necessário estudar cuidadosa e periodicamente o mercado, perspectivas de crescimento do país e para o seu segmento, alinhando a produção, equipes e fornecedores, e investindo em medidas que já ofereçam retorno desde o curto prazo.
 
Outra alternativa pode ser recorrer ao hedge. Essa é uma prática que os bancos oferecem a empresas importadoras ou com dívidas em moeda estrangeira, como uma proteção contra eventuais disparadas do câmbio. No hedge, trabalha-se com uma cotação “congelada”. Caso a moeda suba mais no dia da liquidação do contrato, o banco quita a diferença.