Como está o mercado de produção de algodão no Brasil?5 min read

Quando se fala dos carros-chefes do agronegócio brasileiro, é preciso dar destaque ao algodão e sua participação na indústria têxtil nacional e internacional. Segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), o país registra recordes na exportação do produto — de julho de 2019 a fevereiro de 2020 exportamos 1.555 milhões de toneladas de algodão em pluma. Somente no mês de janeiro, a exportação atingiu 308 mil toneladas.

Não é à toa que o produto é chamado também de ouro branco. Quer entender melhor o panorama da produção de algodão do Brasil? Então não perca nosso post e saiba quais são as perspectivas para esse mercado em 2020, os principais destinos do produto e as regiões que lideram essa produção. Boa leitura!

Quais as perspectivas para a produção de algodão no Brasil em 2020?

Em todo o mundo, o algodão ocupa uma área de cultivo que corresponde a 35 milhões de hectares, com uma produção de 25 milhões de toneladas. Na safra 2018/2019, o Brasil representou 6% de toda a produção.

Não é de se estranhar que o país ocupe a quinta posição entre os maiores produtores mundiais. Nesse ranking, em primeiro lugar está a Índia e, na segunda posição, estão os Estados Unidos. A China ocupa o terceiro lugar e o Paquistão vem na sequência da lista.

Em 2019, a produção e exportação do produto no país geraram uma receita de US$ 2,6 bilhões, superando o ano anterior em quase US$ 1 bilhão.

Essa conquista se deve à qualidade do algodão nacional — que tem 85% de toda a produção certificada pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) —, clima favorável, que contribui para a alta produtividade, variedades adequadas da planta e à regularidade no fornecimento da matéria-prima, o que traz credibilidade para as indústrias têxteis.

Principais destinos da exportação da matéria-prima

O continente asiático recebe cerca de 97,5% do algodão que é exportado pelo Brasil. A China, apesar de ser um dos maiores produtores, foi o principal destino das exportações brasileiras de 2019 (31%), gerando uma receita de US$ 820 milhões.

O mercado chinês depende do Brasil, pois sua produção não supre a alta demanda de sua indústria têxtil. Em segundo lugar está o Vietnã, representando 13% das nossas exportações. Outros destinos importantes dessa produção são: Bangladesh, Turquia e Indonésia.

Números da produção em 2019

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 2019, a área cultivada do algodão teve um crescimento de 37,8%, resultando em uma produção de 1,61 milhões de toneladas, um aumento de 36% em relação à safra anterior.

Estimativa para 2020

Com números tão animadores, a perspectiva da produção de algodão no Brasil para 2020 é também promissora. A estimativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) para a safra 2019/20 é que o país atinja 2,74 milhões de toneladas com 1,636 milhão de hectares plantados.

A Conab prevê um aquecimento de 43% nas exportações, atingindo 2 milhões de toneladas e um consumo doméstico de 720 mil toneladas para 2020.

Quais os principais desafios da produção brasileira?

Apesar das boas notícias, a produção de algodão no país ainda enfrenta uma série de desafios, como:

  • concorrência com o mercado de fibras sintéticas, como o poliéster, na produção têxtil;
  • altos custos da produção no campo, como uso de defensivos, maquinários pesados e do transporte até os portos;
  • mercado interno que recebe muitas roupas produzidas fora do país.

Quais os principais destinos desse produto?

Além de rentável, o algodoeiro é uma planta altamente versátil, pois são aproveitadas as fibras e as sementes. A fibra do algodão é uma das matérias-primas principais da indústria têxtil e a de algodão hidrófilo. Ela também abastece outros setores, como de aplicações médicas e até a indústria moveleira, de papel e celulose e automobilística.

Somente o setor têxtil absorve 900 mil toneladas de fibra de algodão nacional, precisando importar 100 mil toneladas segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit).

Já a semente se destina à suplementação proteica na pecuária, ou seja, participa da fabricação de rações para o gado. É direcionada ainda para a produção de óleo para a indústria alimentícia e química e para a fabricação do biodiesel.

Quais regiões lideram a produção de algodão no Brasil?

Se o Brasil é um dos líderes no ranking da produção de algodão mundial, internamente o estado que ocupa a primeira posição nesse mercado é Mato Grosso, responsável por 30% da produção de acordo com dados da Câmara Setorial do Algodão e Derivados (CSAD). Confira, a seguir, o ranking da produção nacional por estado da safra 2018/2019:

  • 1º Mato Grosso — 1.882.738 toneladas;
  • 2º Bahia — 625.643 toneladas;
  • 3º Minas Gerais — 75.100 toneladas;
  • 4º Goiás — 70.686 toneladas;
  • 5º Mato Grosso do Sul — 68.047 toneladas.

Como se vê, o Cerrado exibe os melhores resultados nessa produção por conta de diversos fatores, como topografia, que permite a total mecanização dessa atividade, e o clima, com estação chuvosa e seca, que garante uma qualidade superior à fibra. Além disso, é necessário citar ainda as pesquisas de empresas públicas e privadas voltadas para ampliar a produtividade nessa região.

Por tudo isso, ao lado da soja, o algodão passou a ser produzido em larga escala no Cerrado. É importante ressaltar o investimento em alta tecnologia nessa produção, com sistemas de identificação e rastreamento do produto, além de inovações adotadas nas etapas de beneficiamento e armazenagem da matéria-prima.

Os produtores realizam também a análise e classificação de fibra segundo padrões internacionais e trabalham seguindo normas também internacionais de sustentabilidade.

A produção de algodão no Brasil é crescente, pois conta com alta demanda, especialmente no setor têxtil, tanto no marcado externo quanto interno. O destaque para a produção nacional fica para o Cerrado, principalmente pelas condições favoráveis da região e alto investimento em tecnologia, o que resulta em uma fibra com qualidade superior.

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