Febratex Summit encerra primeira edição em Blumenau27 min read

Em dois dias, a primeira edição do Febratex Summit registrou um público de cerca de 500 pessoas, que participaram de 33 palestras sobre inovação, alta performance, mudança geracional, novas tecnologias, processos disruptivos e cases de sucesso para desenvolver e transformar o setor têxtil. O evento foi promovido pelo Febratex Group, uma das principais promotoras de feiras têxteis na América Latina.

Na avaliação do diretor de marketing do Febratex Group, Diomar Sartor, o evento foi um sucesso. “Conseguimos cumprir com o propósito do evento, que era gerar conexões e conteúdo para qualificar cada vez mais os profissionais da indústria têxtil brasileira, trazendo conceitos de alta performance”. Giordana Madeira, diretora executiva da empresa, informou que o público respondeu positivamente às palestras apresentadas, que contaram inclusive com palestrantes europeus trazendo cases de sucesso que podem ser aplicados aqui no Brasil. “Esse reconhecimento dos participantes já garantiu a realização da próxima edição do Febratex Summit para 2021, novamente aqui em Blumenau”, afirmou.

 

 

LOJAS RENNER E O FUTURO DA MODA

A visão da Renner, patrocinadora premium do Febratex Summit, para o futuro da moda foi o primeiro tema apresentado na manhã desta quarta-feira, pela diretora de operações Fabiana Taccola. A receita bruta da Renner em 2018 foi de R$ 11,4 bilhões. Atualmente, são mais de 21 mil colaboradores e 600 mil clientes circulando todos os dias nas 570 lojas. Fabiana ressaltou entre os diferenciais competitivos o posicionamento consistente, o olhar atento para a mudança do comportamento do consumidor e a busca pelo encantamento do cliente.Sobre as novas tendências e novos comportamentos, Fabiana citou pontos como:  personalização, agilidade, omnichannel, consciência sustentável, compartilhamento, experiência, parcerias e digitalização. “Hoje o cliente se relaciona com a marca, ele cocria, ele participa. É importante darmos essa abertura e nos relacionarmos com ele”, apontou. Segundo a diretora, a Renner tem acompanhado essas tendências, utilizando self checkout, venda móvel, RFID, inteligência artificial para sortimento e alocação, ontologia, reconhecimento de imagem, blockchain, customização e personalização.

 

MEGATENDÊNCIAS INCONTORNÁVEIS

“O mundo já não é o que era”, observou o diretor geral do Citeve, de Portugal, Antônio Braz Costa. O consumidor digitalizado, compartilhamento de roupas, hibridização (associação de produtos físicos a um serviço) e a exigência de mais design, performance, rapidez e flexibilidade foram algumas das tendências apresentadas por ele.

Além disso, de acordo com o especialista, os jovens querem mais experiências e menos coisas. “No futuro haverá em grande escala a possibilidade de o design ser feito no momento da compra”, acrescentou. Com relação à geopolítica, Braz Costa afirmou que a América Latina não cresceu em termos de produção têxtil na última década, ao contrário da Ásia e da Europa. Agora, segundo ele, é a vez da África, onde o custo da mão de obra é barato.

Braz Costa também mencionou a desmaterialização de processos, que vai reconfigurar o setor nos próximos anos, a necessidade de preocupação com o meio ambiente (água, energia e reciclagem), e alternativas ao algodão, como a utilização de fibras celulósicas e poliéster.

 

PARCERIA INDÚSTRIA E UNIVERSIDADE

Lourival Flor, fundador da Golden Technology, patrocinadora target do Febratex Summit e fabricante de produtos químicos para a indústria têxtil, falou sobre as parcerias firmadas pela empresa com as universidades nos últimos 20 anos. Segundo ele, a academia pode contribuir entendendo os problemas enfrentados pelas empresas e buscando soluções por meio de inovações disruptivas. “Se nos fechamos na indústria, somos levados a produzir mais do mesmo. Mas as empresas que estão vencendo por inovações têm trabalhado em inovação disruptiva”, observou.

 

COMUNICAÇÃO CONECTADA

Comunicação conectada foi o tema abordado por Mário Neves, presidente da NSC Comunicação, media partner do Febratex Summit. Ele citou o Data Driven – dados como diretriz para produção, monetização e distribuição de conteúdos – como indispensável para todo tipo de empresa. Também falou sobre a renovação da televisão a partir de 2006, com o ecossistema digital. Neves prevê para até o ano de 2023 a TV 3.0, com mídia programática direcionada a cada espectador. Quanto a outras plataformas, destacou a importância da curadoria das informações, com apuração precisa.

 

PESSOAS E TECNOLOGIAS

Anderson Lourenço, da Silmaq, patrocinadora premium do Febratex Summit, participou da trilha business no evento: “Nós somos comerciais, temos sede de colocar tecnologia de ponta no mercado e entendemos que isso só é possível com muito informação, acessível a todos os tamanhos de empresas. Pessoas e tecnologia caminham juntas, lado a lado”, assinalou. Lourenço acredita que o grande desafio da indústria 4.0 é ter pessoas capacitadas para lidar com a tecnologia, que tenham domínio sobre os dados. “Sem pessoas, até o negócio mais tecnológico do mundo quebra”, acrescentou.

 

INOVAÇÃO E PROPÓSITO NA CIA. HERING

Elisangela Chitero, responsável pelas áreas de Comunicação Institucional, Cultura e Sustentabilidade da Cia. Hering, patrocinadora target do Febratex Summit, contou que neste ano a empresa teve o desafio de revisar o seu propósito, que hoje é “facilitar escolhas, descomplicar a vida”. A empresa, que completa 140 anos em 2020, reinventou o modelo de negócio entre 2000 e 2006. O ano de 2018 foi o grande marco do ponto de vista digital.

Também representando a Cia. Hering, Andrea Ribeiro falou sobre novas áreas que estão nascendo na empresa: a área de pesquisa voltada para a busca de oportunidades e uma área técnico/criativo que engloba design gráfico e têxtil. “A área de inovação não pensa só produtos, mas também serviços, plataformas, outros produtos etc. Ela promove a criação de produtos e serviços que solucionem ou discutam problemas de nosso tempo, com foco em sustentabilidade econômica, ambiental e social”, apontou.

 

O CONSUMIDOR DE 2035

A especialista em tendências e comportamento Andrea Bisker, da Stylus, focou a apresentação em quatro pontos: demografia, panorama inclusivo, perspectivas de luxo e futuros sustentáveis. A demografia serve para entender como as pessoas vão evoluir. Até 2035 teremos mais de 1,5 milhão de pessoas com mais de 100 anos (o triplo de 2019). Uma das tendências são as famílias multigeracionais, com lares onde haverá várias gerações morando juntas. “É uma geração que vai ignorar as marcas que fingem que os consumidores são invisíveis”, afirmou.

Quanto à inclusão, citou marcas que têm abraçado a diversidade, não apenas dos produtos, mas dentro da empresa. Sobre o luxo, falou do plástico, que em 15 anos será um material de luxo. Com relação à sustentabilidade, Andrea apontou: ‘Sabemos que nenhuma marca sozinha vai resolver o problema de sustentabilidade”. Também apresentou o exemplo da Blue City Rotterdam, um pequeno ecossistema de empresas que utilizam as sobras umas das outras, e de empresas que disponibilizam roupas por aluguel, como Banana Republic.

 

OMNICHANNEL

Carlos Busch, da Salesforce, falou da rapidez com que o mundo tem mudado e como as empresas devem se adaptar e oferecer uma experiência excelente ao cliente. “A disrupção não vem em formato de elefante, ela vem em formato de formiga”, brincou. Na opinião dele, a tecnologia é o meio, não o fim. “As pessoas hoje querem personalização e estar sempre conectadas”. Por isso, as empresas precisam se conectar em todas as áreas.

 

STARTUPS E A INDÚSTRIA TÊXTIL

Beny Fard, CEO da Spin falou sobre a relação das indústrias com as startups, principalmente relacionado a dados, tecnologia, fidelização e confiança dos clientes e dos colaboradores e, sobre a indústria 4.0. “As empresas precisam ter a visão que, assim como as startups, as indústrias precisam se reinventar rapidamente, e passar pelo processo de errar, aprender, repetir e acertar” comentou.

Fard ainda explicou da importância de realinhar as organizações com foco nas pessoas, pensando em métodos para mantê-las engajadas. Outro ponto destacado pelo palestrante foi o novo consumidor, os gamers, um público, ágil, fiel mas que precisa ser conquistado pelas empresas. “É preciso mais atenção das companhias para este público, principalmente para entender o que essa nova geração espera do mercado”.

 

ESTÍMULO À AGROFLORESTA

Como a indústria têxtil pode regenerar as florestas? O tema foi abordado por Beto Bina e Pedro Saldanha, da Farfarm. Bina acredita que a cadeia produtiva pode utilizar um resíduo que seja positivo. “Nós consideramos uma empresa que gera cadeias produtivas, regenera a natureza e promove desenvolvimento social”, explicou.

Através do estímulo à agrofloresta, a Farfarm pretende vender tecidos sustentáveis, oriundos de fibras vegetais, para empresas que queiram investir ou fabricar produtos de matéria prima realmente sustentável. Saldanha contou que a agrofloresta usa as espécies para colaborarem umas com as outras. “Precisamos sair de uma cadeia produtiva exploratória para um momento onde oferecemos trabalho e dignidade para as pessoas”, apontou Bina.

 

INDÚSTRIA TÊXTIL TÉCNICA

Stephan Verin, da empresa UP-TEX, falou sobre como transformar uma indústria tradicional em uma indústria têxtil técnica. Verin iniciou falando que o produto têxtil está em todos os lugares, por vezes onde nem percebemos. Explicou que há quatro pilares de inovação técnica no setor têxtil técnico da Europa e que atualmente há uma grande tendência que se trata do eco-têxtil, relativo a sustentabilidade.

– Se uma empresa pretende avançar, é preciso buscar inovação, buscar tendências, novos tipos de substâncias químicas. Não é uma questão de novas máquinas, e sim de pensar fora da caixa’, comentou.

Verin também mostrou alguns produtos criados pela Eura Materials e afirmou que o Brasil possui diversos produtos que podem ser utilizados na área sustentável.

 

NOVIDADES QUE AMPLIAM A SUSTENTABILIDADE NA MODA

Angela Bozzon, da ABVTEX, falou sobre as novidades que ampliam a sustentabilidade na moda. Ao iniciar sua apresentação, Angela explicou os valores e a missão da empresa, bem como as marcas associadas. Juntas, a ABVTEX e as associadas faturam cerca de R$ 62 milhões. A empresa possui um programa de certificação em sustentabilidade, e, desde 2010 já promoveu mais de 20 mil auditorias em empresas de todo país.

Angela explicou que neste ano o programa passou uma mudança, pois foi verificado que o consumidor está mais consciente e exigente. A responsabilidade social e ambiental na moda, ainda é vista como algo novo, mas, está ganhando relevância no Brasil nos últimos tempos.

As mudanças no programa, proporcionaram maior uniformidade de critérios, benchmarking internacional, reconhecimento dos participantes e desenvolvimento do setor.

 

O QUE É A TECNOLOGIA DE IMPRESSÃO DIGITAL?

Gerardo Gordon, da Epson, patrocinadora advanced do Febratex Summit, abordou as tecnologias de impressão digital e como elas influenciam o mercado da moda. A indústria da moda está em desenvolvimento. As produções estão diminuindo, pois há fatores como substituição, tempo, globalização e custo da otimização. “Os clientes estão exigentes, querem algo único, querem flexibilidade, qualidade e customização, ou seja, querem algo único”, explicou Gordon.

Todas estas mudanças e evoluções estão ligadas à impressão digital, fazendo com que as estruturas atuais se adaptem. “A impressão digital influencia no design, no fabricante, podendo produzir o que lhe é exigido e, nas vendas, tornando-as mais eficazes com base nesta tecnologia”, relatou.

 

DIREITO DA MODA

Thays Toschi, da OAB-SP, abordou o tema, “quando direito e a moda se encontram”. A advogada contou a história do Fashion Law, que surgiu em dezembro de 2011, com o objetivo de unir o universo jurídico e o da moda. Em 2014, começaram os primeiros cursos nesse segmento. Thays falou sobre as características do Fashion Law: “Ele é um ramo mercadológico do direito, com interdisciplinaridade e multidisciplinaridade”, explica.

 

O FUTURO DA CADEIA TÊXTIL

Jorgen Lindahl, da Greentex abordou o futuro da cadeia têxtil. O palestrante explicou os produtos da empresa, os diferentes tecidos e os pacotes que são oferecidos às empresas, todos voltados à sustentabilidade. “Todos os produtos possuem certificações e se preocupam com o meio ambiente”, relatou.

 

PAINEL “O CASE DO SETOR TÊXTIL EM PORTUGAL, E O SUCESSO DO MADE FROM PORTUGAL”

Os palestrantes Paulo Vaz, Miguel Pedrosa, Ana Silva e José Manuel realizaram o painel da ATP – Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal. Paulo Vaz, iniciou o painel fazendo uma apresentação sobre a evolução do setor têxtil português. Os números apresentados mostraram que 10% das exportações de mercadorias nacionais se referem à indústria têxtil de Portugal. Vaz ainda apresentou os indicadores de crescimento do país na cadeia têxtil.

– Algo que deve ser sempre colocado em primeiro plano são as pessoas, sem elas não é possível fazer nada, elas são um fator psicológico e sociológico. Elas devem acreditar que as coisas são possíveis de acontecer. Trata-se de um contexto sensorial -, explicou.

Após sua apresentação, Vaz deu início ao painel, fazendo uma pergunta para Miguel Pedrosa sobre a indústria 4.0.  “A indústria 4.0 é um processo contínuo, e nós vivemos em um universo de diversidades. Algo importante hoje é suprir as expectativas de nossas clientes, envolvendo atividades de pesquisa e desenvolvimento. Dando um nível elevado ao nosso produto”, explicou.

José Manuel respondeu sobre como funciona a sustentabilidade aplicada no Valerius Group. “Nós percebemos que a crise causou um dano, e nós precisamos nos reinventar, pois a indústria têxtil não podia parar. Então, nós iniciamos um processo de tratamento das peças, sem que elas prejudicassem o planeta. Pensamos sempre em deixar um futuro melhor para todos e pretendemos que, até 2025, 50% dos nossos produtos sejam sustentáveis”, contou.

Ana Silva falou sobre a empresa Tintex, que é uma empresa reconhecida mundialmente pela inovação. “Desde sempre percebemos que precisaríamos trabalhar em um produto próprio. E, começamos a fazer algumas parcerias com empresas próximas. O que nos fez ser reconhecidos mundialmente foi a inovação tecnológica e a produção de malhas de forma sustentável e responsável. Nossa estratégia incorporou a sustentabilidade a todos os níveis, desde o fio até os produtos químicos”, relatou.

 

SUSTENTABILIDADE NO GRUPO MALWEE

O segundo dia do Febratex Summit começou com palestra de Taíse Beduschi, do Grupo Malwee, sobre sustentabilidade – a conexão entre a responsabilidade social e a estratégia de negócios. A empresa nasceu como Firma Weege, em 1906 e, segundo Taíse, desde a fundação, o Grupo Malwee já investe na comunidade do entorno, em ações voltadas para cultura, meio ambiente, educação e esportes. Há cinco anos, com a participação de 114 pessoas, foi idealizado o Plano de Sustentabilidade da empresa. O plano contempla toda a cadeia, desde o desenvolvimento do produto, até o pós-uso.

 

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

O sucesso sustentável através da inteligência emocional foi o tema abordado por Adriana Rutzen, da Evolução Essencial. “Tudo começa com uma reconexão consigo mesmo, para que possamos entender o que nos motiva mais profundamente e como podemos contribuir com a sociedade”, explicou. Os próximos passos são reconexão com o outro e com o todo. Adriana apontou que as habilidades de inteligência emocional são essenciais para líderes e profissionais do futuro. “Quando falamos em sucesso sustentável, outro elemento fundamental é a felicidade. Um colaborador feliz é um colaborador mais engajado e mais produtivo”, acrescentou. Uma das ferramentas sugeridas pela especialista para gerir melhor as relações é o mindfulness, adotado por diversas empresas.

 

MODA SUSTENTÁVEL

Amélia Malheiros, do SCMC, apresentou o Lab Moda Sustentável, uma plataforma multissetorial de colaboração e inovação, composta por 40 lideranças, que quer abordar e transformar os principais desafios do mundo da moda no Brasil. Na primeira fase, o Lab Moda construiu um conjunto de cenários transformadores, possíveis de acontecer. “Está na força e na união do setor a possibilidade de transformar e os indutores desse processo somos nós”, afirmou. O grupo também construiu um mapa sistêmico e pontos de alavancagem contemplando desigualdades, políticas públicas, ciclo de vida do produto, cultura e consumo, educação e modelo de negócios. Os participantes foram divididos em seis grupos e estão trabalhando em diversas iniciativas.

 

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Como o PLM e a inteligência artificial estão revolucionando a indústria da moda foi o tema apresentado por Thiele Biff, da Coleção.Moda. Ela mostrou exemplos de uso da IA na moda, como o caso da americana Stitch Fix. Sobre o PLM, que está chegando ao Brasil, segundo Thiele, a ideia é fazer toda a gestão da coleção, permitindo que o estilista tenha todas as informações em um único ambiente. “Não é fácil revolucionar a nossa indústria. Mas há muitas oportunidades nascendo”, observou.

 

MUDANÇA GERACIONAL NA PIZARRO S.A

Com a mediação de Adriana Rutzen, Vasco, diretor da Pizarro S.A e Manuel Pizarro, fundador da empresa, apresentaram as mudanças que a companhia portuguesa passou nos últimos anos, com a visão de duas gerações familiares completamente diferentes no mundo dos negócios. Ciente de que as gerações mais jovens estão trazendo inovação e novas tecnologias para o mercado nacional e mundial, a empresa decidiu reformular a sua gestão operacional. “Desde o início, em 1983, o nosso objetivo sempre foi inovar. O mundo da moda está cada vez mais exigente e competitivo, por isso, sem perder o foco principal do negócio, as gerações mais antigas da empresa passaram a ouvir os jovens, para que a empresa continue crescendo e evoluindo junto com o mercado”, destaca Manuel Pizarro, fundador da Pizarro S.A.  Por último, Vasco Pizarro aponta que a confiança, transparência e a paixão são princípios que regem o negócio familiar. “São fundamentais para o sucesso do nosso negócio ao longo de nossa trajetória”, concluiu.

 

INOVAÇÕES E INVESTIMENTOS DA TINTEX, COM ANA SILVA

Ana Silva, Head de Sustentabilidade da Tintex, apresentou as inovações e investimentos em novas linhas de tecnologia que a empresa portuguesa está trazendo para o mercado mundial nos últimos anos. Preocupada com a sustentabilidade e sempre buscando melhores práticas para o mercado têxtil, a empresa investe constantemente em novas tecnologias, inovando na forma de produção e tecido. “Inovamos na questão tecnológica, por isso, nós queremos mostrar ao mundo que a nossa empresa possui novas formas de produzir, sempre preocupada com o ecossistema em que vivemos”, destacou Ana.

 

ASAP – AS SUSTAINABLE AS POSSIBLE, AS SOON AS POSSIBLE

Diretora do Instituto-E, Nina Braga apresentou o movimento ASAP – As Sustainable As Possible, As Soon, As Possible –, traduzido para o português como “o mais sustentável possível, o mais rápido possível”. O conceito incentiva as pessoas a pensarem na sustentabilidade e no futuro do planeta.

Criado pela marca Osklen, o Instituto-E desenvolveu um projeto que tem o objetivo de usar a moda a favor do planeta, com início na Amazônia. “O nosso objetivo é aumentar a renda das famílias da região e ajudar a preservar a floresta. Com o projeto, a pele do peixe Pirarucu começou a ser utilizada pela indústria da moda. A pele era descartada, e hoje, cerca de 48% dos acessórios de couro da marca já são produzidos com a pele do peixe. Além disso, a comercialização da carne do peixe já rendeu mais de R$ 8 milhões para os ribeirinhos da Amazônia”, revelou Nina.

 

MODELO DE NEGÓCIOS PARA A ECONOMIA CIRCULAR

Representando o Grupo Soma – detentor da marca FARM, Pedro Horta explicou sobre o modelo de negócios para a economia circular. Com informações da própria rede de lojas, ele compartilhou com o público presente como o grupo carioca está revolucionando a moda, desde a relação com a sustentabilidade até a forma de venda em todo o território brasileiro. “Dentro da FARM nós sempre pensamos como poderíamos contribuir para o ecossistema do planeta, diminuindo o impacto ambiental que a produção têxtil pode gerar. Por esse motivo, o grupo desenvolveu maneiras de diminuir os danos, trazendo a sustentabilidade para os processos, reutilizando produtos e insumos para desenvolver novos”, comentou Horta.

 

A INDÚSTRIA TÊXTIL 2020 A 2030

Trazendo as principais tendências da indústria têxtil de 2020 a 2030, o presidente do Valérius Group, José Manuel, explicou como a empresa se adequou às transformações da indústria ao longo dos últimos anos. “A indústria têxtil, se quer sobreviver, precisa aderir às novas tecnologias, inovações e processos mais sustentáveis que estão revolucionando o modo como fazemos e pensamos inúmeros setores da economia mundial”, afirmou Manuel, que ainda ressaltou que as empresas terão grandes oportunidades no futuro: “As oportunidades virão, porém, as empresas precisam aplicar práticas mais sustentáveis aos seus processos de produção”, revelou.

 

CONFECÇÃO: EFICIÊNCIA E SUSTENTABILIDADE

Miguel Pedrosa Rodrigues, da Pedrosa & Rodrigues, empresa de artigos para o vestuário, compartilhou com o público presente os pilares para que as empresas têxteis tenham uma gestão mais eficiente e sustentável na confecção. Rodrigues apresentou como a empresa está caminhando para alcançar tal eficiência e a inserção da sustentabilidade em seus processos. “Desde investimentos em modernização e automação, formação e trabalho mais qualificado, investimentos na qualidade da gestão e abertura as novas gerações, fazem parte do processo para alcançar melhores resultados na indústria”, comentou Rodrigues.

 

NOVAS TECNOLOGIAS PARA ESTAMPARIA ROTATIVA

Marco Sales, da SPGPrints, empresa de origem holandesa e patrocinadora target do Febratex Summit, apresentou no evento as novidades e inovações para o mercado de estamparia rotativa. Sales explicou o processo de fabricação dos cilindros, a funcionalidade, os benefícios e entre outras características importantes para o setor. “Hoje em dia existe a necessidade do modo convencional se aproximar do digital, visto que é possível alcançar uma qualidade superior, mais agilidade, além dos custos mais baixos”, destacou Sales.

 

INOVAÇÃO NA PIZARRO WISER

Vasco Pizarro apresentou a Pizzaro Wiser, novo projeto que surgiu da Pizarro S.A, empresa da família. A novidade tem o objetivo de continuar levando inovação para o setor têxtil, com mais sustentabilidade, qualidade de confecção, e outras vantagens para o mercado. “Com o projeto, podemos pegar um produto que seria descartado e transformá-lo em um novo, desenvolvendo assim mais sustentabilidade e incentivando a reutilização de peças”, afirmou Pizarro.

 

ECOSSISTEMA CIRCULAR NA CADEIA DE FORNECIMENTO

Patrocinadora Premium do Febratex Summit, a Renner apresentou o painel Ecossistema circular na cadeia de fornecimento, com a participação de Claudio Ballei Junior, José Guilherme Teixeira e Weber Amaral.

José Guilherme, da empresa Cotton Move, explicou como a empresa desenvolveu produtos reciclados, circulares e sustentáveis. “No início foi bastante complicado, mas nós conseguimos. Hoje nossa logística é reversa, nós coletamos o resíduo da mesa de corte, fazemos uma nova massa de fios, onde é feita a tecelagem e aí, fazemos um novo jeans, o mesmo é enviado para as confecções, e assim o ciclo se reinicia”, explicou.

Claudio Junior, da Renner, explicou sobre a parceria com a Cotton Move. “Nosso maior desafio era dar destino a 26 toneladas de tecidos por mês. E, então, o melhor caminho foi a parceria com a Cotton Move, onde conseguimos destinar estes tecidos para que os mesmos fossem utilizados novamente por meio do projeto Re Jeans”, contou.

Além disso, eles explanaram a importância de mudar a moda e de transformar o modo como a ela é consumida no mundo.

 

MERCADO DE LUXO

Enrico Cietta, da Diomedea, apresentou em sua palestra quais aspectos devem ser levados em consideração no mercado de luxo. Cietta iniciou comentando que a empresa é a única especializada em inteligência e modelos de negócio no mercado da moda. O empresário explicou o caminho que uma empresa de moda de luxo deve trilhar para criar valor agregado:

– Primeiro deve-se pensar na cadeia de fornecimento, onde não é preciso entregar apenas valor material, mas sim, o fornecedor deve fazer parte da cadeia de valor. Segundo, é o canal de venda: as lojas não são apenas pontos de vendas, são onde o valor agregado é construído, onde o cliente terá a sua experiência. O terceiro ponto é a capacidade de entregar valor final ao cliente. As empresas devem ter uma conexão com o cliente final, e ele deve ter uma relação com a marca. O quarto e último ponto é a personalização do produto e da experiência, onde o consumidor se torna, em parte, o designer do seu próprio produto -, contou Cietta.

 

POTENCIAL DA MODA BRASILEIRA

O empresário Cristiano Buerger, da empresa Tecnoblu, apresentou sobre o potencial da moda brasileira para ser protagonista no mundo. Buerger iniciou fazendo uma reflexão sobre como o Brasil é rico em produtos naturais. O empresário explicou alguns pontos que mostram como o país é um potencial da moda e que pode ser protagonista no mundo neste segmento:

– O Brasil precisa de maior cooperação. É preciso levantar e tentar fazer diferente. Somente assim será possível mudar itens que dificultam que o nosso país cresça em diferente ramos -, comentou.

Para finalizar, Buerger comentou que é preciso definir estratégias, quais são as frentes que devem ser prioridades. Assim, é possível atuar em conjunto.

 

O FUTURO É AGORA

Matheus Diogo Fagundes, da empresa Audaces, patrocinadora advanced do Febratex Summit, falou sobre criação 4.0 em sua palestra. Fagundes explicou como produzir para atender o consumir. “É preciso ter planejamento, tempo, criação e máquinas, de forma que o valor possa ser medido”, comentou. Ainda durante sua apresentação, o empresário mostrou como funciona a cadeia de moda dentro da Audaces, por meio da solução Audaces360.

 

OPORTUNIDADES E AMEAÇAS PARA O SETOR TÊXTIL

Francesco Marchi, Textile Expert, falou sobre o Tratado de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia. O Tratado de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em junho deste ano, ainda depende do processo de ratificação. Marchi explicou que, a partir do acordo, as empresas brasileiras terão uma oportunidade fantástica de criar ou acessar novos nichos de mercado e atender a solicitações específicas da UE. “A crescente competitividade dos produtos têxteis brasileiros enviados para a União Europeia resultante do declínio das tarifas garantidas no Tratado de Livre Comércio e do respeito às regras de origem, representa a principal oportunidade para que essa indústria lucre com a dimensão e diversidade dos mercados europeus”, apontou.

De acordo com o especialista, outro possível benefício diz respeito à cadeia de valor brasileira de fios e tecidos que, a médio prazo, aproveitará o efeito da cooperação industrial aprimorada, inovações conjuntas, crescentes investimentos e acordos bilaterais entre a UE e as empresas brasileiras de têxteis e de vestuário. “Esse movimento será iniciado pelas empresas maiores ou mais renomadas nos dois parceiros. Mas, como mostra a experiência da União Europeia, as PMEs deverão seguir o mesmo caminho”, finalizou.

 

OPINIÃO DO PÚBLICO

O público presente no Febratex Summit pôde conhecer as inovações e tendências do mercado, como é o caso da equipe do Senai de Blumenau. Dalila Leite Mendonça de Carvalho, gerente executiva SESI/SENAI, regional Vale do Itajaí, comentou que o objetivo da equipe técnica e pedagógica da entidade, ao participar do evento, é fazer a conexão do Senai, sobretudo dos cursos técnicos e de qualificação, com as tendências da indústria têxtil. “Para nós, significa uma grande contribuição para a reformulação dos cursos, a fim de que eles estejam alinhados com o que o mercado está demandando”, apontou.

“Pela primeira edição do Febratex Summit, posso afirmar que é um evento de extrema importância para a sociedade e para a indústria têxtil. Os conteúdos abordados nas palestras são passados de forma transparente, convidativa e com uma linguagem que abrange tanto e público têxtil como os profissionais da moda. Quero destacar o conteúdo passado pela Fabiana Taccola, diretora das Lojas Renner, que de forma transparente falou sobre a visão da empresa para o futuro da moda de forma sustentável. É bacana ver empresas desse porte com essa consciência sustentável; afinal, não adianta ter apenas um produto bacana, uma confecção interessante e que gere vendas, sem saber os impactos ambientes que isso oferece ao mundo. Então, trazer essa consciência para o têxtil e falar sobre isso é muito válido”, comentou Liana Medeiros, consultora de imagem e especialista em estilo.

O presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Blumenau, (Sintex), José Altino Comper, destacou a importância de trazer esse tipo evento para cidade, ainda mais por profissionais com ampla experiência na área têxtil. “Os palestrantes trouxeram cases das suas respectivas empresas e áreas de atuação, bem como novos conhecimentos sobre inovação, business e sustentabilidade na indústria têxtil. O Febratex Summit certamente proporciona a oportunidade de conhecer novas ideias e modelos de negócio”, opinou.

De acordo com o jornalista, criador de conteúdo e especialista em moda masculina e comportamento, Lucca Koch, eventos como esse são de grande relevância pois trazem assuntos de forma aberta e com ricas informações. “Mergulhamos durante o Febratex Summit em assuntos extremamente pertinentes, como a sustentabilidade com um processo cada vez mais transparente”. Koch ainda afirmou que o consumidor está mudando, e a indústria têxtil precisa acompanhar essa evolução e revolução com urgência. “O futuro é agora, como bem disseram durante o evento, e ele está atrasado. O propósito precisa ser mais ecossustentável, onde o luxo está em agregar ética e estética. No Febratex Summit, vi que a moda, mesmo sendo uma das indústrias que mais poluem o meio ambiente, também vem criando e desenvolvendo iniciativas agregadas a tecnologias que reduzem esse impacto”, comentou.

 

APOIO E PATROCINADORES

Lojas Renner e Silmaq são Patrocinadoras Premium. A Epson e Audaces são Patrocinadoras Advanced, e Lectra, Golden Technology, SPGPrints e Cia Hering, Patrocinadoras Target. Color Química do Brasil e TNS são empresas parceiras. O evento também é apoiado por: Sintex, Fundação Hering, SCMC, ABVTEX, ATP (Associação Têxtil Portuguesa), Instituto-E, Istituto di Moda Burgo, Senai, Unisinos Moda, Universidade Feevale, FURB, UFSC, Cordontextil, Fashion Innovation Bureau, FIESC, CIESC, OAB-SP, Sinvest, Abimaq, Abit, ABTT, SindRoupas CE, Sindconfecções CE, Sinditêxtil CE, ASCAP, ACIT, ACIC, AMPE, FAMPESC, Unimed Blumenau, Expotextil Perú, Pesponto, Plastic Concept, Hug Infláveis, Blumenau e Vale Europeu Convention & Visitors Bureau.