História da indústria têxtil: quais os avanços até os dias atuais?7 min read

A história da indústria têxtil tem muito o que dizer sobre a evolução dos meios de produção e da economia de diversos países. No Brasil, principalmente, o processo de industrialização se iniciou por meio desse setor.

Antes da colonização, os nativos brasileiros adotaram técnicas artesanais para confeccionar suas vestimentas. Após 1500, no entanto, com o início da vinda dos portugueses à Terra de Santa Cruz, novos métodos foram implementados, baseados naqueles que eram usados na Europa naquela época.

Com o passar dos anos, a produção de tecidos em teares foi substituída por máquinas muito mais eficientes, até chegar à atual indústria 4.0. Ficou interessado em conhecer como essa trajetória foi feita? Então não perca este post!

Contextualização histórica

Nos primeiros anos de industrialização têxtil, dois polos disputavam pelo mercado (EUA e Inglaterra). Ao longo do tempo, outros países passaram a integrar esse contexto, justamente por terem acesso a esses equipamentos de produção.

Por esse motivo, é interessante traçar uma linha do tempo e analisar os fatores internacionais, a fim de entender quais foram os avanços dos meios de produção nesse cenário. Confira mais, a seguir!

Liderança da Grã-Bretanha

A Grã-Bretanha foi uma das primeiras a se empenhar para dominar o segmento têxtil da indústria. Afinal, no século XVIII, esse setor se concentrava na região britânica, justamente pelo contexto da Revolução Industrial, que teve início na Inglaterra.

As leis inglesas eram firmes no monopólio das máquinas têxteis e nas demais especificações desses aparelhos, de modo que era proibida a exportação das ferramentas. Sendo assim, os demais países tinham acesso apenas aos produtos, que rapidamente ganharam valorização.

Os equipamentos usados na Grã-Bretanha tinham uma melhor estrutura. Os britânicos, por meio da invenção de Edmund Cartwright, conseguiram criar uma espécie de tear elétrico, que usava o vapor para executar a tecelagem de maneira mecânica. Desse modo, os fios eram produzidos mais rapidamente e com uma maior qualidade e resistência.

Falhas dos americanos

Nessa mesma época, os americanos, que tinham acabado de conseguir a sua independência, esforçavam-se para conquistar esse espaço no mercado, procurando meios de aprimorar as suas máquinas de tear.

Muitos dos encarregados de desenvolver novas técnicas de tecelagem eram imigrantes britânicos, que tiveram contato com os meios de fiação europeus. Eles recebiam incentivo e patrocínio do Governo e dos demais interessados, mas apenas construíram um equipamento rudimentar. Seja utilizando a força dos cavalos, seja usando fusos e tintas, o resultado era uma produção irregular e pouco lucrativa.

Revolução têxtil nos EUA

Após essa primeira etapa, o setor foi revolucionado por dois ícones: Samuel Slater e Francis Cabot Lowell. Slater é conhecido até hoje como o “Pai da Revolução Industrial nos EUA”. Esse britânico, que se estabeleceu também na região de Rhode Island, construiu inúmeras fábricas de algodão que impulsionaram a indústria têxtil norte-americana.

Francis Cabot Lowell, porém, foi o responsável por revolucionar esse segmento. Como era comerciante, ao notar esse conflito industrial entre os EUA e a Inglaterra, percebeu que era necessário que os americanos desenvolvessem seu próprio meio de produção, a fim de evitar um declínio econômico.

Com diversos contatos, Lowell foi capaz de conhecer as máquinas britânicas e entender os seus mecanismos. Como era ilegal a compra de um desenho ou de qualquer tipo de projeto desses equipamentos, ele decorou a fórmula e contou com a ajuda de Paul Moody para recriá-la, com várias inovações, nos EUA.

Em 1814, com o apoio de diversos investidores, o comerciante e o inventor conseguiram abrir uma usina de produção energética funcional, que permitiu a criação de uma espécie de máquina de tear muito mais eficiente e com um reforço nas rodas.

Fase de implantação

Durante o reinado de Dom Pedro II, as políticas brasileiras sofreram diversas adversidades. Em 1844, foi decretada a Tarifa Alves Branco, com o intuito de proteger as manufaturas brasileiras. Desse modo, as taxas alfandegárias subiram para cerca de 30%, o que provocou muita insatisfação nos países europeus.

Entretanto, isso foi um grande incentivo para a industrialização brasileira, que teve uma trajetória bastante lenta, sendo o Brasil um dos últimos países a iniciar esse processo. Por esse motivo, o período entre 1844 e 1913 recebeu o nome de fase da implantação.

O contexto era favorável para o crescimento: os Estados Unidos passavam por uma guerra civil, o Brasil estava dando os seus primeiros passos para deixar de ser um país escravista, ocorria a Guerra do Paraguai, entre várias outras instabilidades internacionais.

Além disso, como sempre foi um ótimo produtor de algodão, o desenvolvimento econômico e industrial se intensificou no país. Assim, no período entre 1864 e 1914, o número de fábricas no Brasil aumentou em 10 vezes e a quantidade de trabalhadores foi de 5 mil a aproximadamente 78 mil.

Produção em larga escala

Com a utilização da eletricidade na indústria, a produtividade fabril foi potencializada, iniciando-se a produção em larga escala. Além disso, o desenvolvimento de modelos produtivos, como o fordismo, o toyotismo, entre outros, de certa maneira, influenciou também a indústria têxtil.

Os avanços tecnológicos

É inevitável associar a Revolução Industrial com os avanços tecnológicos. Afinal, o aprimoramento dos equipamentos, por meio da tecnologia da época, foi responsável por cada uma das revoluções que aconteceram.

Dessa forma, conforme foram criados novos meios de produção, a indústria têxtil passou a se destacar, gerando, inclusive, a indústria da moda, que divulga novidades no modo de se vestir e propaga tendências.

Sendo assim, vale a pena entender um pouco mais sobre esses avanços da tecnologia. Confira!

Máquina de costura elétrica

Como você viu, foi apenas após a criação de uma máquina de costura elétrica que a produção em grande escala passou a ocorrer. A adaptação dos meios artesanais para as técnicas de automação foi primordial para a evolução da cadeia têxtil e, consequentemente, para a economia de diversos países.

Depois disso, o setor apresentou inúmeras inovações, partindo de diferentes locais e inventores, até chegar ao ponto conhecido como indústria 4.0, o modelo industrial contemporâneo.

Indústria 4.0

A indústria 4.0 é outro nome para a Quarta Revolução Industrial, que tem como principal responsável a tecnologia da informação. A robótica atua como grande protagonista, por desenvolver sistemas que executam, de forma independente, as funções que exigem maior trabalho manual, dispensando o uso de força e o desgaste físico nas pessoas.

Além disso, a evolução da tecnologia ultrapassa o contexto mecânico e atinge a execução de tarefas que antes eram exclusivas do intelecto humano. Com o desenvolvimento da inteligência artificial, técnicas de machine learning estão sendo implementadas também no setor têxtil. A nanotecnologia é outro grande artifício desse segmento.

Como você pôde ver, a história da indústria têxtil é repleta de desdobramentos, e o aprimoramento da tecnologia foi o principal responsável pelo crescimento do setor. Por esse motivo, tornam-se cada vez mais necessários os investimentos na digitalização e na automação de processos nas empresas têxteis.

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